Ingredientes
. 10 ovos
. 1 copo de açúcar
. 1 laranja espremida mais as raspas de sua casca
. 1 limão espremido mais as raspas de sua casca
. 1 e 1/2 copo de nozes quebradas em pedacinhos
. 6 colheres (sopa) de farinha de matzá .
. 2 colheres (sopa) de fécula de batata
. 1 pitada de sal
. 1 colher (chá) de extrato de baunilha
Preparo
Na batedeira, bata as gemas, meio copo de açúcar e os sucos e raspas do limão e da laranja. Em outro pote, bata as claras em neve. Acrescente aos poucos o meio copo de açúcar restante. Com cuidado, passe as claras para a mistura da gema e depois coloque as nozes, a farinha de matzá, a fécula de batata, o sal e a baunilha. Mexa e passe esta mistura para uma assadeira sem untar e alise a superfície. Coloque a assadeira no forno frio e então ligue-o em temperatura alta. Asse até que um palito colocado no meio saia seco. Espere esfriar e passe para um prato de servir.
FIM DA LEI DE YHWH?
É triste esse tipo de conclusão das igrejas. Totalmente furada, como
você mesmo observou, pelos seguintes motivos:
1 - A palavra "FIM" aqui significa "OBJETIVO" e não término. Isso
deveria ser óbvio, afinal Yeshua disse explicitamente que não veio
abolir a Torá
2 - O manuscrito hebraico Munster do livro de Hebreus diz: "E conforme
Ele disse 'Aliança renovada', Ele tornará antiquada a primeira, e para
aquela que se tornará antiquada, nos dias vindouros, Ele oferecerá
aquilo que é esperado." (Ivrim/Hebreus 8:13)
3 - É totalmente óbvio quando lemos Yirmiyahu (Jeremias) 31 que a
Aliança Renovada ainda não está vigente (concordando com o manuscrito
hebraico de Hebreus). Vivemos a promessa dela. Yeshua comprou a
Aliança Renovada com Seu sangue, e nos deu a Ruach como
penhor/garantia da mesma. Mas ainda vivemos a promessa da Aliança
Renovada, e não sua plena realização
4 - A Nova Aliança (ou melhor: Aliança Renovada) será justamente o
oposto: A Torá será escrita nos nossos corações - isto é, teremos o
desejo de observá-la plenamente - não será um período de "liberou
geral" como dizem as igrejas. Lamentavelmente, como disse um rabino
amigo meu: só existem duas instituições que pregam a não-obediência às
Leis de D-us. Uma é o Reino de Satan, e a outra são as igrejas. Vamos
acordar!
5 - Há diversos textos dos profetas, como por exemplo Zechariyah (Zacarias) 14, que mostram claramente a Torá sendo observada no Milênio. Seria interessante ver o que eles fazem com essa informação...
Não é à toa que YHWH que o povo peca por não conhecer às Escrituras.
Também, pudera, alimentam-se apenas de 27 livros, ao invés dos 66.
Falta-lhes a base...
Boker tov, (Bom dia)
Sha'ul
Shalom amados!
Estava vendo em um site de umas igrejas por aí, e vi como algumas igrejas querem dar um geito de distorcer Lei X Graça. Dizem que a partir que uma pessoa vive na Graça, logo ela não vive mais na Lei. Acho isso um absurdo! As Escrituras declaram que o fim da Lei é Cristo, logo se você está com Cristo, você cumpre a Lei, mas não que a Lei se torna inválida, mas sim que você praticará a Lei e toda a Palavra de Deus em Cristo. A Lei nos leva até a Cristo, e em Cristo cumprimos a Lei.
Olhem esse versículo que certas igrejas usam para dizer que a Lei foi abolida:
"E não ensinará cada um a seu próximo, Nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; Porque todos me conhecerão, Desde o menor deles até ao maior.
Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.
Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar." (Hebreus 8:11-13)
Assim eles afirmam que se você vive na Nova Aliança (Graça), logo a Velha Lei de Moisés não viverá mais. O erro está em compreender que a Lei nos leva a Cristo, e em Cristo através da Graça à cumprimos, mas não que não a cumpriremos mais e passaremos a viver somente por uma fé sem pilar de sustento, utilizando somente o Novo Testamento.
Esse capitulo de Hebreus a meu entendimento, dá a entender que não se invalidará a Lei de Moisés, mas que a Nova Aliança será o reinado do Messias Yeshua, assim, toda Palavra (a Lei e os profetas) se cumprirá, e acabará quando ela estiver "totalmente" cumprida até que reinaremos para sempre e eternamente com Yeshua nosso Elohim numa Nova Terra e Novos céus.
Gostaria de comentarios dos irmãos.
Na shalom de Yeshua!
Estudo Semanal do Sefer Matitiyahu (Livro de Mateus)
Por Sha'ul Bentsion
Capítulo 3
3:1 Naqueles dias foi chamado Yochanan, o Imersor, e clamava no deserto de Yehudá,
Yochanan, como sabemos, era filho de Elisheva (Elizabeth) e Zechariyah (Zacarias), além de ser um cohen (sacerdote) descendente de Tsadok. O nome “Yochanan” significa “YHWH foi gracioso”. Isto reflete não só o nascimento de Yochanan, mas também parte do objetivo de sua vida para o Reino de YHWH.
Vemos por esta passagem que Yochanan clamava “no deserto”. Ao contrário do que muito pensam, “o deserto” não era apenas um local árido qualquer. Segundo confirmações históricas, o termo “o Deserto” na realidade se refere a uma região (de fato semi-árida) próxima a Jerusalém. “O Deserto” era o coração dos essênios, um grupo de judeus (liderados por cohanim/sacerdotes) que havia se distanciado do centro religioso de Jerusalém devido à corrupção no Beit HaMicdash (Templo). Na época, o Beit HaMicdash (Templo) era controlado pelos saduceus, o que resultara em interferência da política na religião.
Os essênios estabeleceram a região do “Deserto” com objetivo de que fosse uma espécie de núcleo espiritual para a restauração do serviço a YHWH. De certa forma, podemos dizer que o “Deserto” era um remanescente. Apesar de terem havido comunidades essênias em diversos pontos de Israel, “Deserto” era para essa gente o centro da vida religiosa, muito mais importante até mesmo do Jerusalém (devido aos motivos supracitados).
Em virtude da corrupção do Beit HaMicdash (Templo), e também de não verem com bons olhos os acréscimos e fardos pesados já impostos pelos p'rushim (fariseus) e sua “Torá oral”, os essênios criam na iminência do fim dos tempos. Eram uma seita extremamente preocupada com o mundo espiritual, e com a controvérsia entre os Filhos da Luz e os Filhos das Trevas. Além do Tanach (Primeiro Testamento), literaturas apocalípticas tais como o Sefer Chanoch (Livro de Enoque) eram parte do dia-a-dia desse grupo. Os essênios criam que um dia Malki-Tsedek, o grande rei-sacerdote e manifestação de YHWH, iria conduzí-los à vitória e estabelecer o seu reinado em Jerusalém.
Pela região, discurso e pela prática de imersão ritual (vide comentários abaixo), tudo indica que Yochanan teria background essênio. Isto é confirmado pela tradição do protoevangelho de Thiago, que relata que na época em que Herod havia ordenado assassinar todas as crianças, Elisheva (Elizabeth) teria fugido para “as montanhas” em busca de refúgio. Sabe-se que os essênios habitavam em cavernas de montanhas. Uma mãe e seu filho fugindo de Herod teriam sido bem-vindos entre eles, pois segundo Josefo, era comum que os essênios criassem crianças carentes (vide Josefo 2:8:3) – ainda por cima um menino que era cohen (sacerdote) e descendente de Tsadok.
3:2 dizendo: Fazei teshuvá em suas vidas, porque é oferecido vir o reino dos céus.
Os manuscritos hebraicos trazem literalmente o termo “teshuvá”. O termo “teshuvá” significa literalmente “voltar-se”. Isto significa muito mais do que um mero arrependimento, como sugerem algumas traduções. A teshuvá passa sim pelo arrependimento, mas requer uma mudança de vida, um retorno ao caminho de YHWH, um caminho sem pecado, um caminho de amor e de submissão aos mandamentos. Curiosamente, o texto de Yeshayahu (Isaías) 59:20, que fala do Redentor que afastará as transgressões de Ya'akov (Jacó) utiliza a mesma raíz, indicando que o afastamento das transgressões não é meramente um perdão. Mashiach é aquele que nos conduz pelo caminho de YHWH. Ou seja, o profeta Yeshayahu nos demonstra que Mashiach nos leva à teshuvá.
Segundo o manuscrito Shem Tob, Yochanan começou esta mensagem no período chamado pelos judeus de “Dias de Teshuvá”, cerca de quarenta dias antes do Yom Kipur (Dia da Expiação). Os “Dias de teshuvá”, além de serem uma época de arrependimento, tipificavam uma espécie de “ensaio” para a vinda do Reino.
A mensagem de Yochanan, portanto, de que o Reino estaria disponível imediatamente teria sido entendida pelo povo como algo do tipo: “Isto não é mais um ensaio, a hora chegou!”
Uma análise mais profunda da mensagem de Yochanan, aliada ao texto supracitado de Yeshayahu (Isaías) nos mostra exatamente o plano de YHWH e o momento histórico que estava sendo inaugurado – momento esse que vivemos até hoje: os Dias de Teshuvá. Lembramos que o número 40 simboliza, entre outras coisas, uma geração. Quando Yochanan chega no início dos Dias de Teshuvá e declara que o “Reino é oferecido”, esta é uma declaração de que estava se iniciando a geração da teshuvá.
Quando as pessoas da época ouviam tal mensagem, não pensavam em salvação como um “ticket para o céu”, mas sim entendiam que era chegada a hora de YHWH ser Rei sobre toda a terra (vide Zecharyah 14:9), a Idade de Ouro de Israelm quando Jerusalém seria a capital do mundo todo, e o Mashiach de lá reinaria, e haveria a paz. As tribos exiladas seriam reajuntadas e haveria justiça perfeita em todos os níveis. YHWH julgaria o mundo, as nações viriam adorá-Lo em Jerusalém, de onde sairia a Sua Torá. As pessoas compreendiam que, se o Reino era oferecido, então era necessário purificar-se e fazer teshuvá. Por isso a mensagem de Yochanan atraía multidões.
Contudo, possivelmente o entendimento que faltou ao povo, é que conforme vemos em Yeshayahu (Isaías) 59:20, a verdadeira teshuvá só é possível em Mashiach. Portanto, Mashiach precisaria aparecer justamente no início dos Dias de Teshuvá, para conduzir a verdadeira teshuvá, antes de, de fato, vir como Rei sobre a terra. E, como vemos em Yeshayahu (Isaías) 53, a teshuvá só é possível se há perdão do pecado anterior, o qual Mashiach precisou tomar sobre si. A falta do entendimento sobre a dualidade da missão do Mashiach levou o povo a entender que a entrada de Yeshua em Jerusalém significaria o princípio do tempo supracitado. Não entenderam que o Reino começara de fato, mas que o Reino começa com a teshuvá, e não com a sua consolidação total na terra. Por isso a decepção quando Yeshua se recusou a liderar uma insurreição política contra Roma.
Outro ponto interessante é que o grego traz a tradução errônea “o reino está próximo”. Tanto no hebraico quanto no aramaico temos a raíz “Kuf-Reish-Vav” que de fato pode dar a idéia de aproximação. Contudo, aqui neste contexto, o “trazer para perto” é literalmente “oferecer” - tanto no hebraico quanto no aramaico. Ora, sabemos que a teshuvá é justamente uma aceitação da oferta de nos re-submetermos a YHWH. Portanto, Yochanan não estava proclamando que o “Reino estava próximo”, mas sim estava oferecendo o Reino a quem estivesse disposto a fazer teshuvá.
O mais interessante é que na parábola que conta em Matitiyahu (Mateus) 22, Yeshua fala do Reino (simbolizado por um banquete) como sendo oferecido por três vezes. A oferta de Yochanan é a segunda vez que o Reino é oferecido. A primeira oferta foi ao pé do monte Sinai. Com o pecado do bezerro de ouro, a oferta foi retirada e a chamada “Era Messiânica” foi adiada. Cerca de 1.300 anos depois, Yochanan repete a oferta, anunciando a chegada do próprio Mashiach. Apesar de grandes multidões virem até Yochanan, a esmagadora maioria não aceitou sua mensagem. Novamente, a “Era Messiânica” é adiada. Porém, em Atos 3:19-20 Kefa (Pedro) nos assegura que isso é parte dos planos de YHWH. Ele também fala da importância da teshuvá para a vinda da “Era Messiânica”.
3:3 Porque este é o anunciado pelo profeta Yeshayahu, que diz: Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho de YHWH, endireitai no deserto um caminho para o nosso Elohim.
Esta é uma citação de Yeshayahu (Isaías) 40:3. É interessante que este texto diga que o caminho de YHWH seria preparado a partir do deserto. Tanto os essênios como os posteriores seguidores de Yeshua se identificavam como “seguidores do Caminho”. O “Deserto” poderia ser uma referência ao lugar/situação citados no comentário do versículo 1. É possível portanto que “o caminho de YHWH no deserto” seja muito mais do que uma mera referência geográfica, mas sim um sinal profético de que a restauração da pureza da fé de Jerusalém viria a partir daquele remanescente que se recusou a se dobrar a doutrinas de homens e a politicagens.
Contudo, vemos que Yochanan clamava no deserto. Isto provavelmente explica o porquê de posteriormente ele e seus discípulos terem se realocado para Beit Anyah (vide Yochanan/João 1:28). Um dos grandes problemas da sociedade essênia é que a ordem era muito rigorosa, e não era aceitável que um homem falasse fora de hora. O clamor de Yochanan não teria sido visto com bons olhos. É possível ainda que muitos considerassem seu discursos sobre a chegada do Reino de YHWH como uma precipitação, ou talvez até como uma preocupante alegação messiânica, tanto que Yochanan chega a prestar esclarecimentos a seus talmidim (discípulos) acerca de sua função no Reino.
3:4 Ora, Yochanan usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
As veste de Yochanan não eram vestes típicas de um essênio. Os essênios usavam vestes caracteristicamente brancas. Sua aparência é uma referência ao seu chamado, como aquele que viria no poder e no espírito de Eliyahu HaNavi (o profeta Elias), preparando o caminho do Mashiach. Compare a descrição neste versículo com Melachim Beit (2 Reis) 1:8.
Com relação à sua alimentação, o tipo de gafanhoto que Yochanan consumia era kasher (ie. bíblicamente puro). Vide Vayicrá (Levítico) 11:21-22. É possível que fosse uma alimentação típica de uma pessoa pobre naqueles tempos. Vale lembrar que Yochanan vivia fora do perímetro da sociedade convencional daquela época.
3:5-6 Então iam ter com ele os de Yerushalayim, de toda Yehudá, e de toda a redondeza do Yarden, e eram por ele imergidos no rio Yarden, confessando os seus pecados.
A imersão ritual de Yochanan teve origem nas práticas essênias. Os essênios tinham por hábito purificarem-se através de banhos rituais de forma regular. Yochanan defendia tal prática como uma preparação para a recepção do Reino. A prática de banho ritual essênia, por sua vez, vem da Torá. A Torá traz a prática da lavagem/imersão ritual como forma de se limpar da “impureza” (vide Vayicrá/Levítico 16 a 18). Embora nos casos listados em tal referência a impureza seja meramente cerimonial, pela própria Torá, um estado de impureza também pode vir do pecado (vide, por exemplo, Vayicrá/Levítico 18:20).
A partir de tal raciocínio, temos na própria Bíblia a conclusão de que uma imersão ritual poderia simbolizar uma purificação do pecado. O Salmo 51 é um exemplo típico. Portanto a conclusão não era meramente essênia, nem abíblica. Os essênios, contudo, utilizavam largamente essa prática e criam que a imersão exterior era símbolo de uma limpeza interior feita pela Ruach HaKodesh (Espírito Santo). Isso pode ser visto nos fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto (Manual de Disciplina 4:12-13)
Desde os primórdios do Judaismo, a imersão ritual é frequentemente vista como algo que simboliza uma mudança de status espiritual. A imersão também simboliza uma possibilidade de reingresso nos serviços do Templo. Para maiores informações sobre a questão da imersão, recomendamos a leitura do artigo abaixo (em duas partes):
http://www.torahviva.org/artigos/Judaismo%20Nazareno/O%20Batismo%20I.zip
http://www.torahviva.org/artigos/Judaismo%20Nazareno/O%20Batismo%20II.zip
Vemos ainda nesta passagem que o princípio da teshuvá é o arrependimento. Os que foram até Yochanan entenderam que era hora de se arrependerem, a fim de poderem começar a retificarem suas vidas. Compare isso com Divrei HaYamim Beit (2 Crônicas) 7:14.
3:7-8 Mas, vendo ele muitos dos p'rushim e dos ts'dukim que vinham ao seu mikveh, disse-lhes: Raça de víboras, quem lhes informou para fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos [isto é, gere resultados] dignos de arrependimento,
Aqui vemos pela primeira vez nos Ketuvim Netsarim (o “Novo” Testamento) a menção das duas principais seitas judaicas da época: os p'rushim (fariseus) e os tsedukim (saduceus). Segue um resumo das principais características das duas seitas:
Tsedukim (Saduceus)
Não criam no mundo espiritual (anjos e demônios)
Não criam na ressurreição nem no Olam Habá (mundo vindouro)
Criam somente na Torá, e não nos demais livros do Tanach (Primeiro Testamento)
Eram contrários à Torá Oral, isto é, a acréscimos rabínicos à Torá
Por serem levi'im (levitas), procuravam deter domínio político sobre as atividades do Beit HaMikdash (Templo)
A história conta, por diversas fontes, que os tz'dukim corromperam o sacerdócio do Beit HaMikdash (Templo)
P’rushim (Fariseus)
Foram os precursores do Judaísmo Ortodoxo atual
Criam no mundo espiritual
Criam na ressurreição, e no Olam Habá
Criam nos livros do Tanach (Primeiro Testamento), mas também na autoridade da chamada “Tradição dos Pais”, que deu origem à compilação da Mishná
Começaram um sistema legal que se desviou da observância pura da Torá, por trazer inúmeros acréscimos
Disputavam fortemente o poder político-religioso com os Ts’dukim
Criam que o Messias traria a libertação política de Israel e a consolidação do seu movimento
Havia dos grupos principais: Beit Hilel: defendia o chamado “espírito da Torá” – uma observância mais leve. Beit Shamai: defendia a chamada “letra da Torá" – uma observância extremamente legalista da Torá.
Pelo que fica claro pelos comentários de Yochanan, um grupo de pessoas dentre os p'rushim e tsedukim entenderam as implicações das alegações de que o Reino teria chegado. Por isso, resolveram fazer a imersão ritual. Contudo, seus corações estavam distantes de YHWH, pois não entenderam que na realidade a imersão de Yochanan simbolizava um processo de teshuvá.
Frequentemente a religiosidade atribui excessivo valor ao símbolo, sem se preocupar de fato com aquilo que é o espírito da coisa, por trás do símbolo. Tal problema até hoje é muito comum no meio judaico. Esses p'rushim e tsedukim que se aproximaram de Yochanan acreditavam que uma purificação exterior poderia garantir-lhes acesso ao Reino do Mashiach.
A mensagem de Yochanan a eles é clara: gere frutos, ou seja, façam de fato a teshuvá, ao invés de se preocuparem apenas com o ritual. Tal mensagem de Yochanan também se aplica nos dias de hoje àqueles que crêem que um mero arrependimento intelectual, sem teshuvá à Torá de YHWH, os livrará da ira vindoura.
Aqui também temos um jogo de palavras por parte de Yochanan com a palavra “ira”. A palavra no hebraico de DuTillet e Munster é “charon”, que também aparece no Tanach (Primeiro Testamento) em textos como Shemot/Êxodo 15:7 e Bamidbar/Números 25:4. Essa palavra ilustra figurativamente a “ira” como algo que queima, consume. Yochanan continua o jogo de palavras nos versículos 10 e 11. Tal jogo de palavras se perdeu na tradução grega.
3:9 e não queirais dizer dentro de vós mesmos: Temos por pai a Avraham; porque eu lhes digo que mesmo destas pedras Elohim pode suscitar filhos a Avraham.
Não é por acaso que Yochanan usa a analogia das pedras. Primeiramente, temos um jogo de palavras (novamente perdido na tradução grega) entre “eben” (pedra) e “ben” (filho). No hebraico, ambos vêm da mesma raíz, que significa “construir, montar”.
Em segundo lugar, Yochanan provavelmente não se referiu a qualquer pedra. Como Yochanan estava imergindo no Yarden (Jordão), é muito provável que ele tenha se referido às pedras que Yehoshua (Josué) havia colocado como memorial da travessia do Yarden (Jordão). Vide Devarim (Deuteronômio) 27:4 e Yehoshua (Josué) 4:6-7.
Levando-se isso em consideração, cai por terra a tese anti-semita de que Yochanan estivesse deslegitimando o fato deles serem descendentes de Avraham (Abraão). Na realidade, Yochanan estava fazendo um drash (vide estudo sobre como interpretar as Escrituras como um judeu), dizendo que assim como as pedras eram memorial de que não foi por força nem mérito próprio que Israel atravessou o Yarden (Jordão), mas sim por milagre e graça de YHWH., assim também eles só eram filhos de Avraham (Abraão) por milagre e graça de YHWH. Ou seja, Yochanan condenou o orgulho deles de se acharem merecedores de qualquer coisa por serem filhos de Avraham (Abraão), quando o próprio fato em si já era fruto da graça imerecida que YHWH havia lhes concedido. O entendimento de que qualquer aproximação a YHWH é baseado puramente na graça e misericórdia dEle, e que é fruto de uma transformação milagrosa da Ruach HaKodesh (Espírito Santo) em nós e a base da verdadeira teshuvá.
3:10 Mas, eis que está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.
Compare a citação de Yochanan com Ya'akov (Tiago) 2:14-26. O manuscrito de Shem Tob pode dar algum indício de qual era o principal problema daqueles p'rushim e tsedukim que o procuraram. Segundo esse manuscrito, eles perguntaram a Yochanan o que fazer, e Yochanan disse a eles para não angustiarem os homens - provável referência aos fardos pesados postos pela “Torá Oral” dos p'rushim, para não tirarem dinheiro das pessoas - provável referência ao uso pelos tsedukim do serviço do Beit HaMicdash (Templo) para extorquirem dinheiro, e para se contentarem com seu próprio lote – provável referência às disputas entre eles pelo domínio político sobre Israel.
3:11-12 Eu, na verdade, vos imirjo em água para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as sandálias; Ele lhes imergirá com o fogo da Ruach HaKodesh. A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá o seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha em fogo que nunca se apaga.
Muitos fazem uma leitura descontextualizada do versículo 11 para dizerem que o Mashiach traria um “batismo de fogo” como símbolo de um derramamento da Ruach (Espírito Santo) para dons espirituais. Contudo, basta lermos o versículo imediatamente seguinte para vermos que a imersão com fogo na realidade é um juízo. O fogo é usado nas Escrituras como símbolo de um teste, algo que aprova os justos e consome os ímpios. Yochanan está deixando bem claro que logo após os Dias de Teshuvá, viria o juízo. Ou seja, o recado de Yochanan é para que se faça teshuvá enquanto há tempo.
O simbolismo da agricultura aqui refere-se ao ato, logo após a colheita, de jogar os grãos para o alto, para que o vento separe os grãos (aquilo que é útil) da palha (aquilo que serve para ser queimado). A eira é o local onde isto é feito. Porém, há mais simbolismo por trás da eira. Lembre-se de que uma grande preocupação dos essênios era com a corrupção do serviço do Beit HaMicdash (Templo). A palavra “eira” era também um apelido, uma referência, ao Beit HaMicdash (Templo), pois David HaMelech (o rei David) havia comprado o terreno de uma eira para a construção do mesmo. Vide Divrei HaYamim Alef (1 Crônicas) 21:22 e Divrei HaYamim Beit (2 Crônicas) 3:1. Portanto, a mensagem de Yochanan de que Mashiach limparia a Sua eira refere-se à restauração do serviço do Beit HaMicdash (Templo).
3:13-15 Então veio Yeshua de Galil ter com Yochanan, junto do Yarden, para ser imergido por ele. Mas Yochanan o impedia, dizendo: Eu é que preciso ser imergido por ti, e tu vens a mim? Yeshua, porém, lhe respondeu: Aceite agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele aceitou
O hebraico na passagem que diz “Yochanan o impedia” da a idéia de dúvida. Com isto, vemos que Yochanan estava em dúvidas sobre a real necessidade de Yeshua ser imergido. O motivo é claro: se Yochanan imergia para fins de teshuvá, justamente para prepar as pessoas para a vinda de Yeshua, por que é que Yeshua precisaria ser imergido por ele?
Na realidade, a imersão ritual não tinha apenas a finalidade de teshuvá, e talvez tenha sido esta a fonte de confusão por parte de Yochanan. Uma das finalidades da imersão ritual era justamente a separação dos cohanim (sacerdotes) antes de iniciarem o serviço.
A expressão “assim nos convém” no hebraico indica uma obrigação. YHWH ordenara que todo cohen antes do serviço deveria passar pela imersão ritual. Pela Torá, Yeshua já havia atingido a idade certa para começar seu serviço (vide Bamidbar/Números 4:3) como Cohen Gadol (sumo-sacerdote) segundo a ordem de Malki-Tsedek (vide Tehilim/Salmos 110:4).
A procura de Yeshua por Yochanan para a imersão indica a legitimação do “Deserto” como de fato sendo o remanescente de onde surgiria O Caminho (vide Yeshayahu/Isaías 40:3).
3:16 Imergido que foi Yeshua, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu a Ruach de Elohim descendo na forma de uma pomba e repousou sobre ele;
Na Bíblia, a pomba representa simbolicamente três momentos proféticos:
1 – O perdão de YHWH (vide Bereshit/Gênesis) 8 – neste caso, o fim do castigo do dilúvio.
2 - Os justos (às vezes Israel como um todo) sendo perseguidos – vide Tehilim/Salmos 55:6 e 74:19,
3 - A noiva (Israel) – vide Shir HaShirim (Cantares) 5:2 e 6:9.
4 - Em Hoshea (Oséias) 7:11, a dispersão da Casa de Efrayim é simbolizada pelo vôo da pomba.
Portanto, a descida da Ruach (Espírito) na forma de pomba vem demonstrar profeticamente os seguintes elementos da missão do Mashiach:
1 – O perdão de YHWH, que viria através dEle
2 – A perseguição que Ele, e aqueles que o seguissem, sofreriam
3 – O noivo teria vindo de encontro à noiva
4 – A Casa de Efrayim, que teria voado como uma pomba, através de Mashiach, voltara para o Seu Criador
Matitiyahu (Mateus) também se preocupou em relatar este evento, pois logo acima (no capítulo 2) faz alusão ao cumprimento da profecia de Yeshayahu (Isaías) 11:1. Dando continuidade aos desdobramentos da missão do Mashiach, temos o cumprimento profético de Yeshayahu 11:2, que diz: “E repousará sobre ele a Ruach de YHWH, a Ruach de sabedoria e de entendimento, a Ruach de conselho e de fortaleza, a Ruach de conhecimento e de temor do YHWH.” Vide ainda Yeshayahu (Isaías) 61:1, o qual posteriormente foi mencionado pelo próprio Mashiach em leitura pública numa sinagoga.
Outra passagem interessante está no apócrifo Testamento de Levi, que diz: "E a glória do Altíssimo será proferida sobre ele, e a Ruach do entendimento e da santificação repousará sobre Ele na água" (Testamento de Levi 5:22)
3:17 e eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.
Aqui temos uma voz celestial audível. Isto é chamado pelo Talmud de “Bat Kol”, que significa literalmente “filha da voz”. Em todas as instâncias em que é mencionada no Talmud, uma “Bat Kol” é uma proclamação dos céus que legitima algo ou alguém. O Talmud relata ainda que a “Bat Kol” muitas vezes era proclamada quando um mártir ou um profeta morria, e normalmente falava uma palavra de aprovação a tal pessoa (vide B. Berachot 61b por exemplo). Se de fato esta era a crença dos p'rushim, então uma “Bat Kol” no ato de início do ministério de Yeshua poderia ser entendida como um anúncio profético de sua morte como mártir, e/ou ainda como uma legitimação de sua autoridade.
Se juntarmos o que sabemos sobre a “Bat Kol” com o que YHWH diz a Avraham (Abraão) acerca de Yitschak (Isaque) em Bereshit (Gênesis) 22:2, onde YHWH diz que Yitschak (Isaque) é o filho amado de Avraham (Abrão), então vemos que a oferta de Yitschak (Isaque) era uma sombra profética do sacrifício de Yeshua, e a Bat Kol de fato indica o seu destino como mártir.
Curiosamente, o Midrash Rabá de Shir HaShirim (Cantares) 8:13 diz que logo após a era dos profetas, então o remanescente da profecia restaria à Bat Kol:
“R. Aibu disse: Assim disse o Sagrado, bendito seja Ele: 'É minha intenção atribuir a Israel um advogado dentre as nações.' O que é isso? A Bat Kol, pois diz: 'Exceto se YHWH das hostes tivesse nos deixado um pequeno remanescente (Yeshayahu/Isaías 1:19).' Foi ensinado: Com a morte dos últimos profetas Hagai, Zechariyah, e Malachi, a Ruach HaKodesh partiu de Israel, mas ainda a Bat Kol estava disponível a eles.”
Sabemos pelas Escrituras que Yochanan foi o último dentre os grandes profetas. A presença da Ruach HaKodesh e da Bat Kol legitimando o ministério de Yeshua são significativas, pois demonstram que o Mashiach não deixaria Israel não estaria desamparado.
Outro ponto interessante que podemos extrair dos versículos 16 e 17 é a manifestação dos aspectos femininos de YHWH Katan. Novamente, temos manifestações múltiplas de YHWH Katan, contudo a pergunta que nos fazemos é: Por que há forte ênfase no aspecto feminino? Vemos a Shekiná manifestando-se como pomba, e vemos ainda a Bat Kol. Como vimos nos estudos anteriores, são os aspectos femininos de YHWH que estão associados à vida. Logo em seguida, Yeshua é chamado de Filho de YHWH, numa referência ao pilar do meio de YHWH. Assim como o pilar do meio deriva sua essência dos outros dois pilares, assim também a vida que Mashiach estaria dali por diante apto a oferecer como Cohen Gadol (sumo-sacerdote) tinha sua origem na Shekiná/Bat Kol, isto é, no aspecto feminino de YHWH.
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